terça-feira, 6 de setembro de 2011

O sonho e o pesadelo da fertilização

O sonho e os pesadelos da fertilização

Apesar dos avanços médicos, dilemas pessoais pontuam a busca dos casais inférteis, como Paulo e Esther de “Fina Estampa”, por um filho

Renata Losso, especial para o iG São Paulo | 06/09/2011 07:42

Foto: João Miguel Júnior/TV Globo Ampliar
Dan Stulbach e Julia Lemmertz nos papéis de Paulo e Esther: sonho ameaçado pelas pressões da fertilização com o esperma de outro homem
Em “Fina Estampa”, novela das nove da Rede Globo, o casal interpretado por Dan Stulbach e Julia Lemmertz enfrenta uma questão delicada: enquanto ele é estéril, a esposa quer muito ser mãe. Eles precisariam não só de uma mãozinha das técnicas de reprodução assistida, mas também de uma visita a um banco de esperma. Embora este tipo de atitude seja mais comum do que se imagina atualmente, nem sempre é fácil levá-la adiante. Que o digam Paulo e Esther, personagens de Dan Stulbach e Julia Lemmertz.

Embora hoje a medicina permita gerar uma criança a partir de um óvulo que não é da mãe e do sêmen que não é do pai, descobrir-se infértil pode ser um baque para qualquer um. Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, da Unesp de Bauru, no interior de São Paulo, a cobrança social para um casal ter filhos ainda é muito forte. Quando vem à tona a impossibilidade de se tornar pais naturalmente, é muito difícil aceitá-la. “Esta dificuldade pode até levar à depressão. Muitas vezes o casal se sente incompetente por não conseguir engravidar da forma natural”.

Na vida real, para Laís* e Jorge*, de 39 e 43 anos, o banco de esperma será pela segunda vez um dos aliados para a realização do sonho da paternidade. Dois anos atrás o casal estava decidido a ter um filho, mas descobriu que Jorge era estéril – assim como o personagem de Dan Stulbach na novela. Decidiram-se pela adoção, mas desanimaram diante da burocracia. Foi quando uma amiga de Jorge falou sobre o tratamento de reprodução assistida que estava fazendo e o casal descobriu que o próprio sonho ainda poderia ser realizado: a fertilização in vitro, chamada de FIV pelas mulheres que tentam, não era tão cara quanto eles imaginavam.


Foto: Alexandre Carvalho/ Fotoarena Ampliar
Laís prefere manter o anonimato, pois teme julgamentos: "o filho vai ser nosso e ninguém precisa saber"


Depois da primeira consulta, Laís e Jorge conversaram e logo decidiram, juntos, seguir por este caminho. Ser pai de um filho gerado a partir do código genético de outra pessoa não incomoda Jorge. Para ele, desde o começo sempre ficou muito claro: “O bebê vai nascer dela, mas vai ser meu também. O pai não é necessariamente quem faz, mas sim quem cria”. Na listagem dos doadores de sêmen, o casal escolheu alguém com características mais próximas às de Jorge. E partiu para a reta final da fertilização.

Ele diz tirar de letra o dilema dos homens inférteis que tanto atormenta Paulo, o personagem de “Fina Estampa”. Mas, de acordo com o filósofo e psicanalista Arthur Meucci, autor de “A Vida que Vale a Pena Ser Vivida” (Editora Vozes), a infertilidade masculina nem sempre é vista com tranquilidade. “Dar um filho para uma mulher é visto como sinal de virilidade”, diz. O homem, portanto, pode se sentir diminuído e esta sensação se reflete no relacionamento. “Quanto mais o problema for ignorado, pior. O homem pode ficar com a autoestima lá embaixo e sentir ciúmes da mulher, já que se vê como incapaz”, afirma.

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo concorda: a relação da infertilidade com a virilidade é comum na cabeça dos homens, mas eles devem aprender a separá-las. Segundo ela, em geral eles costumam aceitar melhor os fatos depois de elaborar o “luto” pelo filho biológico. “Afinal, ele percebe que vai ser pai. A única diferença é que não será biológico”.

De acordo com a psicóloga Vera Iaconelli, coordenadora do Instituto Gerar de Psicologia Perinatal, em São Paulo, o que torna o homem pai é reconhecer o filho. “Quando os homens descobrem que não basta inseminar uma mulher, que o filho terá que ser reconhecido como tal acima de tudo, pode ficar mais fácil lidar com o ‘fantasma’ do sêmen de um desconhecido”, diz. O que faz a paternidade, afinal, não é o esperma.

A culpa é delas


Lidar com o problema da infertilidade não é mais fácil para as mulheres. Segundo a psicóloga Rafaela Schiavo, quando um casal tem dificuldades para engravidar, na maioria das vezes se presume que a culpa é da mulher. Para Vera Iaconelli, socialmente falando, é comum a mulher se sentir mais culpada sobre a infertilidade do que o homem. Mas hoje um procedimento como o da fertilização in vitro é mais reconhecido e, quanto mais aceito é, mais os pais podem se sentir preparados para enfrentá-lo. “Existe uma gama imensa de procedimentos, então o desafio é mais social mesmo”, diz Vera. Não é somente a gestação da criança ou como ela ocorre – natural, com óvulos doados ou barriga de aluguel – que faz de uma mulher uma mãe.

A saída para aliviar as pressões é o diálogo. A situação, de acordo com Meucci, pode mexer com questões emocionais muito profundas. Não reveladas, elas acabam gerando brigas e comportamentos fora do padrão. Se tanto o homem como a mulher perderem o constrangimento de falar sobre o que estão realmente sentindo, o casal fica fortalecido para enfrentar a situação, pois compartilharam as fragilidades.

Para evitar mais pressões sociais, a maioria dos casais prefere não compartilhar a notícia do tratamento e das técnicas às quais serão submetidos. Laís e Jorge só contaram para os pais dela. “Ninguém de fora precisa saber”, diz ela. Jorge decidiu não contar nem para as irmãs. “Já que quem vai criar somos eu e ela, não faz a menor diferença de onde virá o bebê”, conta. O medo de como os conhecidos podem tratar a criança mais tarde também contou pontos na decisão pelo silêncio. "Vai que eu falo para alguém que não gosta do ocorrido e tratam mal o meu filho? É desnecessário. O importante mesmo é saberem que nós somos os pais”.


Para a ginecologista e obstetra Paula Fettback, da Clínica Huntington de Reprodução Assistida, cada casal tem um tempo próprio de compreensão do processo pelo qual vai passar. Alguns se surpreendem e outros aceitam com mais facilidade as próprias limitações – neste segundo grupo se encaixam os casais com mais comprometimento e afinidade entre si. “O homem costuma passar por um período mais longo de aceitação e compreensão”, afirma.

Apesar das dificuldades emocionais, para o psicanalista Arthur Meucci, a maioria dos dilemas vividos pelo casal são desfeitos por completo depois do nascimento da criança. Os pais se abrem rapidamente para o novo elemento em suas vidas, adaptando-se à esperada realidade de ter um bebê. “As fantasias e inseguranças acabam sendo deixadas de lado e tudo começa a entrar nos eixos”, finaliza.

Fonte: IG/ Delas/  Filhos

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Lei em MS proíbe cobrança de taxa para acompanhante em sala de parto

Em MS, lei proíbe cobrança de taxa para acompanhante em sala de parto

Lei garante direito às gestantes de ter acompanhante no parto e pós-parto.
Maternidades privadas permitiam presença mas cobravam procedimentos.

Da TV Morena
A presença de acompanhante para a gestante na hora do parto é um direito garantido em lei federal, mas que nem sempre é cumprido. Tanto em maternidades públicas como privadas, a mulher pode escolher quem vai acompanhá-la. Agora, uma lei estadual reforça esse direito e determina o acompanhamento em maternidades particulares sem custo para os pais.
Quem vê a alegria da dona de casa Diana dos Santos, mãe de primeira viagem, não imagina a tristeza que ela viveu horas antes do parto da pequena Eduarda. Ela teve o bebê na rede pública de saúde e não contou com acompanhamento. "Já tinha ficado 13 horas sozinha, com muita dor e dificuldade de ir ao banheiro. Foi terrível, é frustrante", conta
Estudos revelam que é normal a mulher sentir medo e insegurança durante o trabalho de parto. Mas a insegurança pode aumentar ainda mais as dores das contrações e fazer desse momento uma situação traumática. A presença de um acompanhante na hora do nascimento do bebê pode diminuir essas dificuldades.
A psicóloga Alessandra Rios afirma que o apoio à mulher é fundamental, e só a liberdade de escolha de quem vai estar ao lado naquele momento já é um alívio para tanta ansiedade. "Se for o pai acompanhante, é mais significativo e melhora o vínculo", diz.
O comerciante Jeferson Rogério teve essa experiência. No primeiro parto da esposa, ele não pode acompanhar. Mas no parto de Leonardo, o pai tirou fotos, filmou tudo e vai guardar na memória esse momento único. "É maravilhoso, indico a todos os pais que faça isso porque é muito importante, tanto para o bebê como para os pais", comenta. A esposa, a comerciante Tatiana Donatti, foi quem mais vibrou com a companhia do marido durante a segunda ida à maternidade. "Ele me deu uma segurança maior, foi emocionante", relata.
A mamãe Gleiciane Schmitt descansa ao lado de João Pedro. O parto foi tranquilo, e ao lado esteve uma amiga. A acompanhante foi indicação da irmã. "Você quer ter alguém alguém ali para estar conversando e te acalmando, e ela conseguiu fazer esse papel", afirma

Fonte: Globo.com

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Saber o sexo antes do nascimento importa?

Para especialistas, o fundamental é se preparar ser mãe ou pai, independentemente se de um menino ou de uma menina

Manuela Minns, especial para o iG São Paulo | 18/08/2011 08:24






Foto: Guilherme Lara Campos/Fotoarena Ampliar
Carolina não quis saber qual era o sexo do filho Luca antes do nascimento: enxoval em amarelo
Antigamente, só se descobria o sexo do bebê na hora do esperado primeiro choro, na mesa de parto. Hoje, com ultrassom e exames de sangue, é possível saber se será menina ou menino com até oito semanas de gestação. E a maioria esmagadora quer saber, seja por curiosidade ou por motivos práticos, como montar o enxoval e receber presentes. Quem prefere a ignorância é taxado de maluco. Mas será que realmente muda alguma coisa saber antes?

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“As pessoas não se conformavam que a gente não queria saber”, lembra a produtora Carolina Botelho, 34 anos, mãe de Luca, 6 anos. Durante os exames de ultrassom, por precaução, ela nem olhava para o monitor. As pessoas faziam apostas para saber o sexo. Até as enfermeiras, no dia do parto, entraram no bolão.

Em nenhum momento Carolina diz ter ficado ansiosa para saber se o que tinha na barriga era menino ou menina. Ao tomar a decisão de não saber o sexo do bebê, esqueceu o assunto. Os outros é que se roíam por dentro. E a dúvida durou até o parto: “Fiquei 24 horas em trabalho de parto e quando a cabeça do bebê saiu, meu marido viu aquele monte de cabelo e gritou ‘é menina’”.

A produtora não foi a única da família que optou pela surpresa. Sua irmã mais velha teve dois filhos e não quis antecipar o sexo de nenhum. “Meu médico é o mesmo dela e me dizia que a gente tem de se preparar para ser pai e mãe, independentemente de esperar menina ou menino”, conta.

O ginecologista Pedro Paulo Monteleone, da Clínica Monteleone, de fertilização, concorda plenamente. Para ele, os tempos da surpresa eram muito melhores. “Hoje em dia, a maior parte dos casais quer saber o sexo do bebê antes de engravidar. Vão para a sala de parto sabendo a cara, o sexo e o nome”, diz o médico. “Acabou o romantismo”.

Por mais que os pais queiram definir tudo, a legislação brasileira impede o casal de escolher o sexo do bebê nos casos de inseminação artificial. Salvo onde há recomendação médica, como casos de doença de família relacionada ao sexo.

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Foto: Carla Fomanek Ampliar
Renato e Lucia no lançamento do livro: ele se preparou para ser pai de menina
Preparação sob medida

Se a ignorância funciona como um fator positivo na gestação e formação dos futuros pais, saber se o bebê que está naquela barriga é uma menina ou um menino pode desmistificar a futura criança e evitar frustrações. “O sexo do bebê é um dos processos mais fantasiados. De cada dez casais, nove querem saber o que terá”, conta Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal da UNESP de Bauru.

Não ter este desejo realizado pode gerar estresse e frustração. “Quando recebem a notícia e não é o que se esperava, o casal pode até criar um certo desapego com o bebê”, conta Rafaela. Nestes casos, é importante saber o sexo, para poder lidar com a questão. Se não for o que imaginavam, os pais podem fazer o luto do bebê imaginado e ir criando uma nova identidade para o bebê real.

“Saber que eu ia ser pai de uma menina ajudou a me preparar psicologicamente”, conta o escritor Renato Kaufmann, autor do blog Diário de um Grávido e do livro “Como Nascem os Pais” (Mescla Editorial), em que ele descreve o desespero e as delícias da espera e do nascimento da pequena Lúcia, hoje com 2 anos.

Renato diz que ele e a mulher nunca consideraram a hipótese de não saber o sexo do bebê. Para ele, saber de antemão ajudou a tirar as dúvidas de como lidar e o que ensinar para uma menina. “Estou adorando ser pai de menina”, atesta o escritor.

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Decoração unissex

Além da preparação psicológica, as questões práticas também pesam. Que roupas comprar e como decorar o quarto?

Para Renato Kaufmann, seria sem graça ter tudo unissex. “Nem é tanto pelo azul versus rosa, mas não acredito nessa de criança criada sem gênero. Tem é que evitar os estereótipos. Eu vivo vestindo a Lúcia de preto”, conta o pai. Segundo ele, saber o sexo do bebê ajuda também para quem vai dar presente.

Já a produtora Carolina Botelho não teve problema nenhum com o enxoval de Luca. “As roupas eram em tons neutros, brancas, amarelas, beges. No quarto coloquei uns quadrinhos que minha mãe deu”, lembra.

A bancária Solange Crisis, 47 anos, e o marido Rogério tiveram de fazer alguns malabarismos. Ela sabia que o bebê seria menina, ele não. O quarto e as roupinhas de Sofia, hoje com 10 anos, não poderiam estragar a surpresa do pai. “Tive de fazer uma decoração que não denunciasse o sexo. Já as roupinhas, comprava tudo rosa, mas escondia no armário”, conta Solange.

Os amigos tinham que dar camisetas e vestidinhos em tons neutros. “O melhor é que meu marido nem se tocava quando eram saias e vestidinhos amarelos. Não sendo rosa, estava mantido o mistério”, brinca.

“Sem saber se é menino ou menina, é preciso optar por motivos menos específicos para os acessórios. Os objetos não podem brigar com o sexo do bebê. Realmente não dá para pintar o quarto de lilás ou rosinha, vai que é um menino”, concorda a personal organizer Andrea Caetano, da Wellbeing.

Leia também: planeje bem o quarto do bebê


Foto: Divulgação Ampliar
Cupcakes revelam o sexo do bebê quando abertos
Doce descoberta

Há quem queira desvelar o mistério junto com a família e amigos. E, de quebra, de forma saborosa. Comum nos Estados Unidos, os gender cakes ganharam versão brasileira nas mãos de Luana Davidsohn, da Cupcakes da Luana.

A mecânica é simples. A futura mãe faz o ultrassom e pede para a equipe médica não contar o sexo do bebê, mas sim escrevê-lo em um papel e lacrar. Ela leva o papel até a loja de bolos e os cupcakes são preparados com recheio rosa ou azul, dependendo se for menina ou menino. Na hora em que são mordidos e o recheio aparece, o sexo do bebê é descoberto.

“Temos uma grávida que vai fazer o ultrassom e como não aguenta o suspense no mesmo dia vai reunir a família e celebrar com os cupcakes. A ideia é todo mundo descobrir junto o que será”, conta Marina Zinn, sócia do Cupcakes da Luana.

Fonte: Home IG - Delas - Filhos
http://delas.ig.com.br/filhos/saber+o+sexo+antes+do+nascimento+importa/n1597161171640.html

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estudo indica que estresse da mãe afeta bebê no útero

BBC 20/07/2011 05h36 - Atualizado em 20/07/2011 06h36

Pesquisa observou alterações em receptores de hormônios associados ao estresse em fetos cujas mães eram muito tensas.

Da BBC
O estresse de uma mãe pode afetar seu bebê ainda no útero, produzindo efeitos a longo prazo na vida da criança, sugerem pesquisadores alemães.
A equipe da Universidade de Kontanz, na Alemanha, observou que houve alterações biológicas em um receptor de hormônios associados ao estresse em fetos cujas mães estavam sob tensão intensa - por exemplo, por conviverem com um parceiro violento.
As alterações sofridas pelo feto podem fazer com que a própria criança seja menos capaz de lidar com o estresse mais tarde. Essas alterações foram associadas, por exemplo, a problemas de comportamento e doenças mentais.
As conclusões, baseadas em um estudo limitado feito com apenas 25 mulheres e seus filhos - hoje com idades entre 10 e 19 anos -, foram publicadas na revista científica 'Translational Psychiatry'.
Os pesquisadores fazem algumas ressalvas: eles explicam que as circunstâncias das mulheres que participaram desse estudo eram excepcionais, e que a maioria das mulheres grávidas não seria exposta a graus tão altos de estresse durante um período tão longo.
A equipe enfatiza também que os resultados não são conclusivos, e que muitos outros fatores, entre eles o ambiente social em que a criança cresceu, podem ter desempenhado um papel nos resultados.
Mas os especialistas alemães suspeitam que o ambiente primordial, ou seja, o do útero, tenha papel crucial.
Investigação
O estudo envolveu análises dos genes das mães e dos filhos adolescentes para a identificação de padrões pouco comuns.
Alguns dos adolescentes apresentaram alterações em um gene em particular - o receptor de glucocorticoide (GR) - responsável por regular a resposta hormonal do organismo ao estresse.
Esse tipo de alteração genética tende a acontecer quando o bebê está se desenvolvendo, ainda no útero.
A equipe disse acreditar que ela seja provocada pelo estado emocional ruim da mãe durante a gravidez.
Sensibilidade
Durante a gravidez, as mães participantes viveram sob ameaça constante de violência por parte de seus maridos ou parceiros.
Entre dez ou vinte anos mais tarde, quando os bebês, já adolescentes, foram avaliados, os especialistas constataram que eles apresentavam alterações genéticas no receptor GR não observadas em outros adolescentes.
A alteração identificada parece tornar o indivíduo mais sensível ao estresse, fazendo com que ele reaja à emoção mais rapidamente, dos pontos de vista mental e hormonal.
Essas pessoas tendem a ser mais impulsivas e podem ter problemas para lidar com suas emoções, explicam os pesquisadores - que fizeram entrevistas detalhadas com os adolescentes.
Um dos líderes da equipe da Universidade de Kontanz, Thomas Elbert, disse: 'Nos parece que bebês que recebem de suas mães sinais de que estão nascendo em um mundo perigoso respondem mais rápido (ao estresse). Eles têm um limite mais baixo de tolerância ao estresse e parecem ser mais sensíveis a ele'.
A equipe planeja agora fazer estudos mais detalhados, acompanhando números maiores de mulheres e crianças para verificar se suas suspeitas serão confirmadas.
Comentando o estudo, o médico Carmine Pariante, especialista em psicologia do estresse do Instituto de Psiquiatria do King's College London, disse que o ambiente social da mãe é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê.
Segundo ele, durante a gravidez, o bebê é sensível a esse ambiente de uma forma única, 'muito mais, por exemplo, do que após o nascimento. Como temos dito, lidar com o estresse da mãe e com a depresão durante a gravidez é uma estratégia importante, clínica e socialmente'.

Fonte: G1 Ciência e Saúde

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A maternidade na adolescência

A maternidade na adolescência é considerada como indesejável por sua incompatibilidade com as novas demandas sociais de qualificação profissional para inserção no mercado de trabalho e, vêm sendo apontada como origem de problemas os mais diversos, embora os resultados de pesquisas sejam controversos.
A literatura mostra que adolescentes provenientes de famílias de baixa renda e baixa escolaridade, cujas mães tiveram seu primeiro filho na adolescência, correm riscos maiores de engravidar. A grande maioria de avós maternas de mães adolescentes foram também mães na adolescência.
A gravidez na adolescência pode ter como fator de risco as explicações de natureza biológica e socioculturais. Além de fatores de risco para a própria mãe, a falta de cuidados pré-natais das adolescentes, associada a pobreza e níveis baixos de instrução, tem mostrado papel preponderante na cadeia causal de recém-nascidos prematuros e de baixo peso. Provavelmente, por ser esses fatores, agentes estressores. Um estudo realizado com gestantes adultas e adolescentes indicou que gestantes adolescentes são mais estressadas do que gestantes adultas.
Alguns autores, pontuam que a gravidez na adolescência é uma condição de risco para o desenvolvimento do bebê, tal afirmação é baseada na informação de que o corpo da adolescente não está preparado para gestar um bebê, filhos de mães adolescentes em geral nascem a baixo do peso ou prematuros, entre outros fatores biológicos, psicológicos e sociais que caracterizam a gestação na adolescência como um fator de risco.
Entretanto, sabe-se hoje que o stress gestacional é um dos fatores para o nascimento prematuro, baixo peso, problemas de comportamento, déficits cognitivo entre outros, desta forma, podemos pensar que se gestantes adolescentes apresentam mais stress que gestantes adultas, estas tem também maior probabilidade de darem a luz à crianças baixo peso, prematuras, com problemas de comportamento entre outros, em decorrência do stress manifestado na gestação.
       A maternidade na adolescência é vista ainda por muitos como uma condição de risco pois: há probabilidade de terem mais filhos e, quanto mais filhos, mais próximos em idade; menos anos de educação escolar ao longo da vida; níveis mais reduzidos de sucesso profissional; salários menores na vida adulta e maior probabilidade de divórcio.
Apesar de vários estudos na área indicarem os riscos de ser mãe adolescente, outros estudos realizados mostraram que comparando a interação mãe-bebê entre mães adultas e adolescentes, as mães adolescentes oferecem mais o seio para amamentação e estimulam mais os bebês do que as mães adultas . Além disso, a maternidade na adolescência não implica em menor competência na função materna. Pesquisadores chamam a atenção para os aspectos positivos da vivência da maternidade pelas mães adolescentes. A maternidade pode ser um importante fator na sua constituição pessoal e social, trazendo interferências sobre novas formas de relacionamentos e reconhecimentos sociais e de atuação em seu cotidiano, ao contrário da visão hegemônica da sociedade e da saúde pública em geral, que considera os adolescentes como um bloco único e em conflito e a gravidez na adolescência como indesejada. Existem diferentes vivências da maternidade e, pelo menos para um grupo de jovens mães, ela pode ser uma experiência de vida plena de significados positivos.
Tanto mães adolescentes como adultas necessitam de rede de apoio social, no entanto, as adolescentes solicitam maior apoio de familiares e outras pessoas, enquanto que as adultas têm menor solicitação, assumindo maiores responsabilidades em relação ao bebê e as tarefas domésticas.
A maternidade na adolescência pode apresentar uma concepção favorável a cerca do exercício da maternagem, o que, de certa forma, pode desmistificar a ideia de que a maternidade na adolescência é sempre um “terror” na vida dessas adolescentes. Mas, apesar disso, em muitos casos as avós maternas acabavam fazendo o papel de mãe substituta do filho de sua filha adolescente, pois muitas vezes a menina não vive com o pai do bebê e sim com sua família de origem, ficando assim na maior parte dos casos os avós maternos exercendo o papel dos jovens pais.
Mães adolescentes e adultas, manifestam preocupações com a saúde do bebê e com os cuidados básicos, mas as adolescentes são mais inseguras em relação aos cuidados básicos do bebê deixando a cargo da mãe - avó do bebê - algumas tarefas do dia a dia de uma mãe, como o dar banho na criança.
Em fim a maternidade é carregada de conflitos, expectativas, anseios, seja ela na adolescência, ou na vida adulta. Estar gravida, é sempre um momento impar na vida não só das gestantes, como do casal e da família, podendo, dependendo de cada situação, ser bem ou mal recebida a notícia da gravidez.
Gestantes adultas e adolescentes, casadas e solteiras, necessitam de apoio social e familiar, não existe um grupo de risco, pois cada gravidez é única, assim como cada mulher e família. É isso que precisamos entender, só dando apoio as nossa gestantes é que poderemos ajudar numa gestação mais tranquila, com menos risco para a saúde da mulher e do bebê.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um pouco sobre a história da infância e da maternidade

A criança representada como símbolo de felicidade, é um fenômeno observado em nossa época. Se buscarmos na história o conceito de infância, entenderemos que este é um conceito que surge depois do século XV, e junto com esta visão de infância,        também surge uma nova visão do conceito de família.
Figuras datadas antes do século XV apresentam crianças como mini-adultos, os traços do rosto das crianças eram representados com traços de adultos, apenas a figura era desenhada em tamanho menor. Durante o período da Idade Média, não havia o sentimento em torno da infância do modo como concebemos hoje.
Nesta época era muito comum o infanticídio, a falta de cuidados físicos e afetivos, de higiene, nutrição e abandono das crianças, contribuindo assim para um número alto de mortalidade infantil.
As crianças recém nascidas até completarem certa idade, não moravam com suas mães e nem recebiam cuidados destas. As crianças eram entregues as amas de leite que deveriam exercer cuidados com o infante, e só apenas quando essa criança começasse a falar e andar, é que seria novamente entregue a sua família de origem, para serem tratados como mini-adultos, participando de reuniões, festas e guerras com os adultos.
Devido ao alto número de crianças que cada ama cuidava ao mesmo tempo, muitas crianças acabavam falecendo por desnutrição, doenças e falta de higiene. Com o elevado número de mortalidade infantil, surge a preocupação com o baixo número populacional, como repor os exércitos e mão de obra? Surge então a necessidade de re-popularização, e para isso era necessário cuidados com a criança para que ela pudesse sobreviver.
Surge nesta época a necessidade de que as mães cuidem de seus filhos e deixem de trabalhar para se dedicar apenas à família e ao lar. Esta é a configuração da tradicional família burguesa. Nesta época é difundido maciçamente que a função de toda mulher é a procriação, que ter um filho é a maior felicidade a que uma mulher pode ter.
A mãe deveria cuidar, alimentar, educar e fazer a criança feliz, e esta não precisaria ser lembrada de suas funções, pois era só ela seguir o seu sentimento de busca pela felicidade, seu instinto materno.
A mulher passou a estabelecer com a criança uma relação íntima e de carinho, o que socialmente lhe conferiu o “status maternal”. Os cuidados maternais passaram a interferir na própria identidade feminina, fazendo as mulheres se reconhecerem e se legitimarem na função materna. A maternidade passa então, a não ser mais vista como uma opção para a mulher, mas como uma condição para que ela se constitua plenamente um ser natural.
A igreja Católica passa a difundir o modelo ideal de mulher, como sendo o de Maria, mãe de Jesus. Caberia a mãe a tarefa de desenvolver na criança sentimentos morais e religiosos. A tradição cristã, também passa a representar os anjos como crianças, em sinal de inocência e de pureza.
Desta forma a criança não só foi considerada como o grande objeto de desejo de toda mulher, como é disseminado que a criança traz um forte sentimento de felicidade. Isso corrobora para a propagação da figura positiva da criança como mais um elemento de prazer e felicidade.
Nos séculos XIX e XX a criança da família burguesa já tinha o status de criança, com brinquedos, educação sofisticada e a criança da classe trabalhadora, eram destituídas de sua infância.
Desta forma a infância tal qual conhecemos hoje, deve ser compreendida dentro de um contexto cultural, bem como a maternidade e a família.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Instinto Materno existe?

Para que um comportamento seja classificado como instinto, ele deve ser inatamente determinado e deve ser específico a certas espécies e aparecer da mesma forma em todos os seus membros.
Dessa forma fica evidente que instinto materno não existe. Caso existisse, não haveria nenhuma mulher em nossa espécie que rejeitasse o filho, ou colocasse para adoção, abandono, entre outros. O que existe é o amor materno e não o instinto.
É muito comum as pessoas acreditarem que a mulher assim que descobre que está grávida, já é a pessoa mais feliz do mundo e ama a criança incondicionalmente. O que nem sempre é verdade. É muito comum que a mulher ao receber tal notícia entre em conflito. Muitas coisas passam pela sua cabeça e o sentimento de felicidade, nem sempre é o primeiro sentimento que a mulher expressa, principalmente quando a gravidez não é planejada. Muitas pesquisas revelam que mais de 50% das mulheres brasileiras, não planejam a gravidez, e a notícia da gravidez, nem sempre é bem recebida. Portanto, se você é uma gestante e não recebeu bem a notícia da gravidez, coisas passaram pela sua cabeça, não ache que você é a única no mundo com esses sentimentos, mais de 50% das mulheres brasileiras, também passam por isso, é mais comum do que imaginamos. O problema é que a sociedade não dá espaço para a mulher falar sobre esses sentimentos de ambivalência comuns no inicio da gestação e em muitos casos por toda a gestação. As regras e valores da nossa sociedade muitas vezes, são cruéis com nós seres humanos. Dessa forma as mulheres se calam, com medo de falar e serem julgadas, e passam a acreditar que há algo de errado com elas. O que não é verdade.
Só amamos aquilo que conhecemos, não é possível amar aquilo que não se conhece, por tanto o amor de mãe é construído e não dado instintivamente. A mulher muitas vezes no inicio da gestação, pensa que algo estranho acontece com ela, pois ela não sente aquele amor pela criança, muitas falam que nem ao menos se sentem grávidas, e isso trás estranhamento, pois em seu imaginário, assim que ela soubesse que estaria grávida, sua vida mudaria, seria a mulher mais feliz do mundo e acordaria sorrindo todos os dias. Mas não é assim que as coisas acontecem, a mulher leva um tempo para aceitar a notícia da gravidez, para aceitar que está grávida e para aceitar o bebê. O amor vai sendo construído ao longo da gestação, o bebê é um estranho para ela. Mesmo que ela realize o ultrassom, muitas vezes o que ela vê na imagem são apenas manchas, que ela não entende. Em geral no segundo trimestre de gestação quando a mulher já consegue ver a barriga crescer, sente os movimentos fetais e já sabe o sexo da criança, ela começa a se identificar com uma gestante e a essa altura o bebê desconhecido, vai se tornando um ser mais conhecido, possibilitando um inicio de troca afetiva maior. Mesmo quando a mulher durante a gravidez, já apresenta sentimento de amor pelo bebê, muitas vezes no nascimento quando de fato mãe e filho se conhecerão, a mulher pode olhar para a criança e sentir que ele é um estranho.
Rafaela de Almeida Schiavo
Psicóloga Clínica e Perinatal
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