segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pesquisa mostra violência contra mulher durante o parto

Mulheres associam experiência ruim a sentimento de angústia nas primeiras semanas com o bebê em casa

Danielle Nordi - iG São Paulo | - Atualizada às
Thinkstock/Getty Images
38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto
Uma pesquisa divulgada no final de maio avaliou o atendimento obstétrico recebido por quase duas mil gestantes em todo o país. As mulheres compartilharam suas experiências e os resultados mostram os maus tratos mais comuns sofridos por elas. O “Teste da Violência Obstétrica” englobou mães que tiveram filhos por cesárea, parto normal, em casa e em hospitais privados e públicos, e foi feito coletivamente por mais de 70 blogs.


O resultado enfoca a conduta dos profissionais de saúde que atendem as gestantes no momento do parto. “Tivemos relatos de todo tipo de violência obstétrica, como negligência, abuso verbal, físico e sexual”, afirma a jornalista e mestranda de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Ana Carolina Franzon, uma das coordenadoras da pesquisa.
“Cheiro de churrasco”
A pesquisa mostra que 21% das parturientes ouviram comentários irônicos em tom depreciativo por parte da equipe médica que as assistiam. Uma das participantes relata que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da minha barriga durante a cesárea”. Em outro relato, a mulher afirma que uma das profissionais da equipe médica reclamou por ter que auxiliar o parto no momento do jogo de futebol do seu time. Segundo Ana Carolina, a violência verbal foi apontada como a mais cometida pelos médicos.


“Não temos dúvida de que alguns profissionais desrespeitam as mulheres no momento do parto. Infelizmente isso acontece, mas não deveria. Na maioria das vezes falta um acolhimento da gestante, que passa por um momento importante e único da sua vida”, afirma Coríntio Mariani Neto, obstetra presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e diretor da Maternidade Leonor Mendes de Barros.
Angústia
A pesquisa também revela que 38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto. Metade delas acredita que os sentimentos que tiveram logo depois de ir para casa com o bebê foram influenciados pela maneira como o parto ocorreu.
 
A psicóloga Karla Rapaport Goldenberg atende gestantes e mulheres no pós-parto e afirma que as mulheres que sofrem violência obstétrica se sentem vítimas e não protagonistas de um momento especial em sua vida. “Ela fica insegura para cuidar de uma criança, já que sente que não conseguiu cuidar de si mesma. A violência sofrida pode contribuir para que ela se sinta angustiada e triste. Além disso, pode surgir aversão a médicos, hospitais ou mesmo ao ato sexual, já que partes íntimas da mulher são manipuladas durante o parto com relativa frequência.”
“A parturiente não espera ser recebida em um ambiente cheio de amores, onde todos a parabenizem e sorriam para ela. Mas ela espera ser tratada com respeito, como uma mulher em trabalho de parto que em alguns minutos será mãe”, ressalta a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo.
Thinkstock/Getty Images
As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor das mães
A primeira semana
Apesar das participantes da pesquisa terem estabelecido uma relação direta entre os sentimentos negativos na primeira semana com o bebê e o tratamento recebido na maternidade, outros fatores devem ser considerados como possíveis estopins para essa situação.
Aline Melo, psicóloga especialista em psicologia social, diz que muitas gestantes têm uma grande expectativa com relação ao momento do parto e não se preparam para o pós-parto. “Cerca de 80% das mulheres apresentam o que se chama de ‘tristeza materna’, causada pela alteração hormonal própria do pós-parto.”


As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor por conta não só da alteração hormonal, mas também porque as mães enfrentam noites em claro e passam por um período de adaptação com a amamentação, lembra Aline.
“Existe um fenômeno de depressão no pós-parto que é um processo fisiológico, mesmo que o parto tenha sido excelente. Mas não há dúvidas de que não ter uma boa assistência no parto tem consequências ruins para a mulher”, afirma Corintio Mariani Neto.
Outros dados revelados pela pesquisa “Teste da Violência Obstétrica”:
- 82% das mulheres estavam respondendo a pesquisa com base no parto do primeiro filho
- 56% tiveram seus filhos em hospitais particulares através do convênio; 26% em hospitais públicos; 12% em hospitais particulares; 4% em casa; 3% em casas de parto
- 35% das mulheres entrevistadas tinham de 25 a30 anos; 27% de 20 a25 anos; 23% de 30 a35 anos
- 53% das gestantes declararam ter sido compreendida, amparada e tratada com respeito
- 12% das entrevistadas disseram que os profissionais de saúde fizeram piadas sobre o comportamento delas
- 9% disseram que os médicos e enfermeiros mandaram a parturiente parar de gritar
- 43% das mulheres se sentiram seguras e à vontade durante todo o processo de internação para o parto
- 37% das gestantes sentiram medo pela sua própria saúde ou a do bebê
- 45% das parturientes foram informadas e consultadas sobre todos os procedimentos realizados
- 24% disseram não ter conhecimento prévio ou não ter consentido a necessidade da realização da episiotomia (corte na vagina no momento que o bebê está nascendo)
- 23% declararam não ter conhecimento prévio ou não ter consentido com a administração de ocitocina (remédio usado para acelerar o trabalho de parto

quinta-feira, 22 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Grátis: Curso online de aleitamento exclusivo e parto sem dor

Journal of Specialized Nursing Care

Grátis: Curso online de aleitamento exclusivo e parto sem dor
Site: http://www.uff.br/nepae/eso

Público alvo: gestantes ou profissionais de saúde
O curso a distância é composto por módulos, totalmente auto-instrutivo, não há tutores, a pessoa faz diretamente pela internet.

Com base na filosofia feminista, o curso visa informar, esclarecer, apoiar e empoderar as mulheres grávidas (em especial as negras) para um parto ativo, uma maternidade consciente e alegre, assim como uma amamentação amorosa.
Primeiro, se você não fez nenhum curso do Educação em Saúde Online (Universidade Federal Fluminense), você deve:
1- cadastrar-se  no site <http://www.uff.br/nepae/eso> com um login (nome de usuário) e senha (CADASTRAMENTO DE NOVO USUÁRIO), não esquecendo de anotar para lembrança futura!
2- FIQUE ATENTO(A) À MENSAGEM QUE SERÁ ENVIADA PELO SISTEMA E SIGA AS INSTRUÇÕES CONTIDAS NELA PARA EFETIVAR O CADASTRAMENTO NO SITE. ATENÇÃO: ISTO AINDA NÃO É A INSCRIÇÃO NO CURSO.
Atenção: Este e-mail de validação poderá ser entendido como SPAM e ir parar em uma caixa de spam ou lixo eletrônico. Para que isso não aconteça:
 Verifique se recebeu algum e-mail do nepae/eso/UFF  em sua caixa de quarentena ou lixo eletrônico.
3- SÓ APÓS A EFETIVAÇÃO DO CADASTRAMENTO, VOCÊ ENTÃO ACESSARÁ NOVAMENTE http://www.uff.br/nepae/eso
4- E ENTRARÁ NO “Educação em Saúde Online”. AÍ ENTÃO DEVERÁ CLICAR NO SEU CURSO E FAZER A INSCRIÇÃO COM A SENHA FORNECIDA:
Curso Parto Sem Dor
(nome personalizado da instância): partosemdor2011)
A senha deste mês é 4b/z*!@J
5- O curso é gratuito.

Mas se você, profissional de saúde, quiser uma declaração de realização emitida pelo Núcleo de Estudos sobre Saúde e Etnia Negra (NESEN)/Universidade Federal Fluminense, contate-me por email (isabelcruz@uol.com.br) para receber as instruções sobre o pagamento da taxa e envio da declaração.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Stress na gestação e no puerpério: uma correlação com a depressão pós-parto

RESUMO
OBJETIVO: Descrever e comparar as fases do stress de primigestas no terceiro trimestre de gestação e no pós-parto e correlacioná-las à ocorrência de depressão pós-parto (DPP).
MÉTODOS: A pesquisa foi constituída de duas etapas, caracterizando-se como pesquisa longitudinal. Na Etapa 1, participaram 98 primigestas e na Etapa 2, 64 delas. Na Etapa 1, a coleta de dados aconteceu no terceiro trimestre de gestação e, na Etapa 2, no mínimo 45 dias após o parto. Na Etapa 1 aplicou-se o Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL) e uma Entrevista Inicial para caracterização da amostra. Na Etapa 2, aplicou-se novamente o ISSL e também a EPDS (Escala de Edimburgo). Os dados foram analisados usando o programa estatístico SPSS for Windows®, versão 17.0. As análises estatísticas efetuadas foram o Teste t de Student e p de Spearman.
RESULTADOS: No terceiro trimestre, 78% das participantes apresentaram sinais significativos para stress e, no puerpério, 63% manifestaram, apresentando diferença significativa entre o stress manifestado no terceiro trimestre e no puerpério (t=2,20; p=0,03). Observou-se, também, correlação entre o stress apresentado tanto na gestação como no puerpério e a manifestação de DPP (p<0,001).
CONCLUSÃO: Tanto na gestação como no puerpério mais da metade das mulheres apresentam sinais significativos para stress. Entretanto, a frequência da manifestação dos sintomas significativos de stress na gestação foi superior à frequência apresentada no puerpério. Tais resultados parecem guardar uma estreita relação com a manifestação de DPP, indicando relação entre stress e DPP.

Palavras-chave: Gravidez; Período pós-parto; Estresse psicológico; Depressão pós-parto; Saúde mental.

Link para acesso ao artigo completo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032011000900006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Elogio Público ao Médico Drº Marcos Augusto Bastos Dias

A coalisão de entidades abaixo relacionadas,  amigos, companheiros de trabalho, ex-pacientes e clientes atuais, mulheres e suas famílias vimos a público manifestar nosso apreço e admiração pela trajetória profissional no âmbito da assistência, pública e privada, do ensino e da pesquisa do Médico Obstetra Dr. Marcos Augusto Bastos Dias, trajetória essa pautada pela ética e pelo compromisso com a qualidade da atenção e dedicação à saúde das mulheres e crianças.  Elogiamos ainda sua disponibilidade para trabalhar em equipe, sua competência técnica e atitude humana, e seu empenho na implementação das políticas públicas, a exemplo da implantação de novos espaços mais humanizados para assistência ao parto, como os Centros de Parto Normal, política emanada pelo Ministério da Saúde através da portaria GM 985/1999, referendada pela RDC 36/2008 da ANVISA e um dos esteios da atual Estratégia Rede Cegonha.


Prezado parceiro

Segue abaixo o relato pessoal do Marcos Augusto Bastos Dias referente à penalidade que lhe está sendo aplicada pelo Conselho Federal de Medicina. A pena inicial de cassação do exercício profissional foi atenuada para Censura Pública em jornal de grande circulação.

Fazemos parte de um movimento que considera essa censura pública injusta, na medida em que ele nada fez de errado e, se pode ser acusado de algo, é de sempre ter atuado em defesa da saúde de mulheres e crianças e ter se esforçado para implantar políticas públicas que favorecem essa população e qualificam a assistência.

Em decorrência, neste momento solicitamos sua adesão e apoio, que pode dar-se de duas formas, não excludentes:

1- Se você representa uma organização ou movimento social, solicitamos que endosse nosso elogio público, enviando para a ReHuNa, e-mail daphne.rattner@gmail.com, o nome de sua organização

2- Pretendemos publicar esse elogio público em jornal de grande circulação e o custo é alto. Pedimos que você e sua organização contribuam para que possamos fazer isso como resposta do movimento social a essa injustiça, para a conta  de Maria do Carmo Leal no Banco do Brasil  agencia 4220-X  cc 15041-X. Caso deseje fazer transferência on line, o CPF é 080099615-15. Sugere-se doação de cem a duzentos reais, sendo possíveis valores maiores.

Como não sabemos quando será publicada a censura pública, mas precisamos poder dar uma resposta pronta e imediata, solicitamos que agilize na medida do possível sua adesão e/ou contribuição

Contamos com seu apoio - em defesa da SAÚDE!

em nome de nosso grupo

Daphne
Coordenação Executiva - ReHuNa 

 A mensagem do Dr. MARCOS:

Car@s companheiros segue texto sobre o julgamento.

Em 08/12/2011 aconteceu em Brasilia no Conselho Federal de Medicina (CFM) o julgamento de meu recurso contra a cassação de meu registro profissional ocorrido em julgamento no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) em 31/03/2011. O processo contra minha pessoa foi aberto pelo próprio CREMERJ para apurar os motivos de minha assinatura em um atestado de óbito de um recém-nascido ocorrido na Casa de Parto David Capistrano em Realengo no Rio de Janeiro.

Resumo do processo de julgamento Dr. Marcos Augusto Bastos Dias relativo ao nascimento de um natimorto na Casa de Parto David Capistrano da SMSDC/RJ
As 21h do dia 30/03/2011 aconteceu no Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro o meu julgamento. Não fui denunciado pela mulher ou seus familiares, mas acusado pelo grupo materno-infantil do próprio CREMERJ por ter assinado o atestado de óbito do recém-nascido de uma parturiente que havia dado a luz na Casa de PartoDavid Capistrano em Realengo, inaugurada em abril de 2004 durante o período em que era responsável pela Gerencia dos Programas de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde/RJ.  
A gestante, que havia feito seu pré-natal na Casa de Parto teve seu filho na noite de 22 para 23 de dezembro de 2004. Ao nascer não deu sinais de vida e após manobras de tentativa de ressuscitação que não obtiveram êxito foi considerada natimorta. Como na Casa de Parto não há médico foi solicitado pela Enfermeira Leila Gomes, responsável pela Direção da Casa de Parto, que a antiga Coordenação de Programas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do RJ providenciasse o atestado de óbito.
Sabendo da necessidade de realização de uma necropsia a então Coordenadora Dra Kátia Ratto solicitou à Diretora do Hospital Menino Jesus que o exame fosse lá realizado. Após consulta a patologista do hospital o corpo de recém-nascido foi levado ao referido hospital onde a necropsia foi realizada pela Dra Maria Marcelina. Preocupados em entender o que tinha determinado o óbito do recém-nascido e garantir que a família pudesse sepultar a criança antes do feriado de Natal eu e a Dra. Katia Ratto fomos até o hospital onde discutimos os aspectos clínicos do caso com a anatomo-patologista.
Como havia uma grande luta do CREMERJ contra a abertura e funcionamento da casa de parto, a Dra Maria Marcelina se sentiu constrangida de assinar a declaração do óbito com medo de ser punida por aquele órgão. Foi então que me prontifiquei a assinar o atestado de óbito que foi preenchido conjuntamente com a patologista segundo os dados macroscópicos da necropsia. Seguindo orientação minha e da Dra Katia Ratto a Diretora do Hospital Menino Jesus oficia o CREMERJ informando que o exame de necropsia havia sido realizado naquele hospital.
É a partir da chegada desta comunicação ao CREMERJ que o mesmo abre de ofício uma sindicância que mais tarde se transforma em um processo ético-profissional contra a minha pessoa. Apesar da defesa constante no processo evidenciar que não havia motivo para minha condenação o referido órgão determinou minha cassação que depende agora de referendo do Conselho Federal de Medicina.
À revelia dos autos do processo o julgamento tratou exclusivamente do funcionamento da casa de parto. Vários dos conselheiros manifestaram sua raiva por não terem conseguido ainda fechar aquela unidade de saúde.  Não foram discutidos os aspectos da minha defesa relativa ao preenchimento do atestado de óbito, mas minha responsabilidade pela abertura da Casa de Partoque para eles se evidenciava na minha decisão de assinar o atestado de óbito. Todos os conselheiros que se manifestaram por ocasião do julgamento bradavam sua repulsa ao funcionamento daquele estabelecimento e como na fala de um dos conselheiros, os assassinos do bebê eram o prefeito da cidade e os idealizadores da Casa de Parto dentre os quais me incluía. Foi na condição de responsável pela abertura da Casa de Parto que decidiram pela minha cassação.
 No julgamento no CFM os Conselheiros entenderam por unanimidade que houve no julgamento no CREMERJ ã adoção de uma pena excessiva e que embora concordassem com minha condenação achavam que a pena deveria ser de censura publica a ser publicada em jornal de grande circulação no RJ.
Novamente neste julgamento foi ressaltada a oposição do CFM as Casas de Parto.

Um abraço, Marcos Dias.